5 fatores que mudarão a forma como iremos trabalhar a partir de 2021

Por Adriano Marcandali, head de Workplace na América Latina

Não houve um ano no passado recente que tenha mudado tanto a natureza do trabalho como em 2020. Com a pandemia de COVID-19, as empresas em todo o mundo se esforçaram para manter suas operações em funcionamento, implementando novas tecnologias em escala para permitir que seus funcionários realizassem seus trabalhos remotamente.

Agora, à medida que o tempo passa, as empresas podem verificar o que foi eficaz e o que não foi na experiência de trabalho remoto em 2020, assim como o que deve ser feito de forma diferente com o trabalho à distância se tornando cada vez mais comum. Conforme nos aproximamos de 2021, visualizamos um novo mundo no qual tecnologias avançadas se fundem com filosofias de trabalho em evolução. Aqui estão cinco fatores que acreditamos que irão mudar o futuro do trabalho para melhor e para todos.

Previsão 1: A próxima fronteira do SaaS (Software as a Service): Os trabalhadores da linha de frente estarão no centro da tomada de decisões.

O trabalho sempre desempenhou um papel importante em nossas vidas sociais, mas nunca tanto quanto durante a pandemia, quando meses de isolamento afetaram a saúde emocional das pessoas. A tecnologia e as ferramentas que auxiliam na presença remota nos ajudaram a nos sentir mais próximos enquanto estávamos fisicamente separados, mas há um longo caminho pela frente.

Isso faz ainda mais sentido para os funcionários da linha de frente, que infelizmente podem ser os menos conectados às suas empresas, mas os mais expostos ao vírus. Trabalhadores essenciais como professores, médicos e equipes que atuam no varejo e em fábricas muitas vezes não têm acesso à mesma tecnologia que seus outros colegas no escritório têm. Muitos não têm nem mesmo um e-mail corporativo ou uma mesa de trabalho.

No entanto, as empresas estão começando a perceber os insights únicos que esses funcionários, que são tradicionalmente o primeiro ponto de contato com os clientes, podem trazer para suas organizações. As empresas agora estão tentando facilitar a vida profissional desses funcionários, centralizando ferramentas para tarefas como coordenar as mudanças de turnos de trabalho ou compartilhar instantaneamente informações críticas de saúde e segurança com eles em seus telefones celulares.

Acreditamos que, daqui para frente, as empresas passarão a considerar o poder que esses trabalhadores têm e darão a eles as ferramentas que precisam para se comunicar e colaborar com os negócios em geral. Por sua vez, os trabalhadores da linha de frente se sentirão mais capacitados e mais próximos da empresa, e as decisões para mudar o jogo acabarão surgindo da linha de frente.

Vicki Huff, vice-presidente da líder global PwC United States and Ventures and Innovation, ressalta o papel importante que as soluções digitais desempenham nas relações de trabalho. “Para prosperar em 2021, as empresas precisam colocar os colaboradores no centro de suas filosofias de espaço de trabalho. Ao aprimorar a experiência de trabalho, os empregadores podem melhorar a produtividade, aumentar o engajamento e criar uma força de trabalho mais conectada e eficiente. Para que isso aconteça, é essencial que as soluções digitais se integrem ao conjunto de tecnologia usado pela empresa e sejam personalizadas para cada funcionário.”

Previsão 2: Saúde e bem-estar serão novos indicadores de performance e desempenho de uma empresa

As empresas nunca estiveram tão cientes de que funcionários felizes são aqueles cujo trabalho têm impacto além da organização. Pesquisas indicam que o senso de propósito é a chave para a satisfação no trabalho, e as empresas sabem que motivar os trabalhadores significa alinhar a autorrealização com as metas de negócios.

Mas os funcionários estão sobrecarregados com as demandas de trabalho, e pesquisas apontam que eles não são os únicos. Um estudo recente da Oracle-Workplace Intelligence com 12.000 funcionários – incluindo 3.100 executivos C-level – mostrou que os líderes corporativos são tão suscetíveis ao estresse profissional quanto qualquer pessoa. 71% dos executivos disseram que 2020 foi o ano de trabalho mais estressante de todos os tempos, e 53% relataram ter problemas de saúde mental no trabalho.

Focar na melhora do bem-estar dos funcionários não é apenas a coisa certa a fazer, mas as empresas também estão cientes de que isso leva a um melhor desempenho nos negócios. É por isso que elas estão procurando por tecnologia e outras ferramentas para aumentar a satisfação no trabalho, a saúde do trabalhador, a sustentabilidade, o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, e acordos de trabalho flexíveis.

Tecnologias como inteligência artificial serão essenciais nessa busca. O estudo Oracle-Workplace Intelligence descobriu que 75% dos funcionários acreditam que a Inteligência Artificial (IA) pode ajudar a fornecer informações vitais para os seus trabalhos, automatizando tarefas e reduzindo o estresse. Também revelou que 68% dos funcionários preferem discutir o estresse no local de trabalho com um robô do que com seu gerente.

É por isso que uma empresa como a Moneypenny, que atua com chamadas terceirizadas, chat ao vivo e comunicações digitais para milhares de empresas, usou a The Bot Platform para construir bots que acompanham como você se sente e que permitem aos executivos verificar o bem-estar da equipe por meio do Workplace. A Moneypenny também criou grupos “trabalhando de casa” no Workplace que ajudam os funcionários a construir uma comunidade durante o lockdown, compartilhando receitas, fotos de animais de estimação, exercícios, entre outras coisas. Cada vez mais, as empresas estão usando plataformas de trabalho em equipes para coordenar atividades em grupo, como ioga, meditação ou apenas conversas que aconteceriam no café.

E os funcionários estão começando a esperar isso de seus empregadores; a mesma pesquisa da Oracle descobriu que 76% dos funcionários acreditam que seus empregadores deveriam assumir mais responsabilidade por seu bem-estar mental. As empresas agora percebem que devem fazer mais para fornecer aos funcionários uma rede de segurança social. Aqueles que observarem esse aspecto ganharão uma grande vantagem sobre os concorrentes que não estiverem atentos a isso, em áreas como lealdade, retenção e produtividade de funcionários.

Previsão 3: As realidades virtual e aumentada serão amplamente adotadas para treinamento, colaboração e aprimoramento do contato com o cliente.

Novas tecnologias de automação estão remodelando rapidamente o mundo, criando uma tremenda oportunidade de crescimento econômico. Mas, de acordo com o relatório Future of Jobs do Fórum Econômico Mundial, 54% dos funcionários de grandes organizações precisam de qualificação e requalificação significativas para alavancar essas mudanças transformacionais.

Isso requer novas ferramentas implantadas em grande escala que possam treinar com eficiência milhões de pessoas para fazerem seus trabalhos no futuro. As realidades virtual e aumentada (AR/VR), que permitem cenários de treinamento econômicos, sofisticados e que podem ser aplicados de forma ampla, são perfeitos para essa tarefa. É por isso que, segundo as previsões do CCS Insights, mais da metade das médias e grandes empresas nas economias avançadas adotarão as tecnologias de AR / VR até 2025.

Enquanto as tecnologias de treinamento de vídeo atuais não conseguem capturar a emoção e o tom dos participantes, as de AR e VR aliviam essa carga emocional e cognitiva, incorporando tons e nuances contextuais inteligentes, como linguagem corporal. Isso permite experiências imersivas de corpo inteiro, como reuniões virtuais que dão a sensação de que você está realmente com outras pessoas.

No ano passado, apresentamos a nova plataforma Oculus for Business* e empresas como a Johnson & Johnson e a Nestlé Purina já estão usando VR no local de trabalho para tarefas essenciais, como treinar cirurgiões e melhorar o planejamento do varejo. Agências de emprego do governo dos EUA, como a AIDT no Alabama, estão recorrendo à VR para ajudar a fornecer treinamentos e a direcionar pessoas em busca de recolocação profissional e com alto potencial para novas oportunidades de carreiras. E o Infinite Office desenvolvido para nosso novo headset Quest 2 oferecerá uma ferramenta de ambiente de trabalho virtual flexível para qualquer pessoa. Muitas empresas terão um ROI (retorno sobre o investimento) significativo graças à VR.

Tais iniciativas são ideais para desenvolver habilidades sociais de liderança e gestão. Comparando trabalhadores treinados em VR com aqueles treinados por métodos mais tradicionais, a PwC descobriu que os primeiros aprenderam quatro vezes mais rápido, eram 275% mais confiantes na aplicação de suas novas habilidades, além de 3,75 vezes mais conectados emocionalmente e quatro vezes mais focados. O mesmo estudo descobriu também que os treinamentos de VR se tornam mais econômicos do que os convencionais à medida que o número de pessoas treinadas aumenta.

Vicki Huff, vice-presidente da líder global PwC United States and Ventures and Innovation, explica: “As empresas enfrentam hoje um dilema de treinamento. Seus funcionários precisam aprender novas habilidades e se manter atualizados sobre suas capacidades com mais urgência do que nunca, mas muitos não podem fazer isso agora pessoalmente ou ao lado dos colegas. Como os empregadores lidam com esse desafio? A realidade virtual já é conhecida por ser eficaz para ensinar habilidades difíceis e para simulações de técnicas de trabalho. Mas também esperamos começar a ver empresas adotando essa tecnologia para ajudar os funcionários a aprender habilidades pessoais, como liderança, resiliência e gerenciamento por meio da mudança. Nossa pesquisa mostra que a VR pode ajudar os líderes de negócios a aprimorar as habilidades de seus funcionários com mais rapidez, mesmo em um momento em que os orçamentos para treinamento possam estar diminuindo e as práticas presenciais fora de questão.”

Enquanto isso, as empresas estão usando cada vez mais a AR para aprimorar a experiência do consumidor e engajar novos públicos de maneira significativa. Por exemplo, instituições culturais ao redor do mundo como o Smithsonian, o Palácio de Versalhes e a Tate Britain estão empregando nossa plataforma Spark AR para levar realidade aumentada às exibições de arte, ciência e cultura. Também estamos ajudando o The New York Times a compartilhar notícias no formato de AR no Instagram. E marcas em todos os lugares estão oferecendo ferramentas de compras em realidade aumentada, como anúncios de AR no Facebook.

Quando as empresas utilizam VR e AR, seus funcionários ficam mais conectados e produtivos, independentemente do lugar em que estão. Conforme a tecnologia anterior migra para o computador e o smartphone, AR/VR vão liberar um potencial de criatividade, novos aplicativos e empregos que não poderíamos ter imaginado até então.

Previsão 4: A localização deixará de ter importância à medida que a exclusão digital é reduzida

Quando a pandemia forçou as empresas a fazerem a transição para o trabalho remoto da noite para o dia, muitos esperavam que a mudança fosse temporária. Mas o Gartner agora prevê que 47% das empresas permitirão que os funcionários trabalhem em casa em tempo integral após a pandemia, com 82% autorizando a prática em meio período.

Feito corretamente, o trabalho remoto pode ser altamente eficaz, economizando tempo e dinheiro de todos. Para capitalizar em cima dessa mudança, as empresas que quiserem se destacar adotarão tecnologias de colaboração eficazes, que fornecem um verdadeiro senso de presença e que permitem que gerentes se comuniquem de forma transparente com suas equipes.

Ao mesmo tempo, as empresas precisam ir além das plataformas de videoconferência padrão para ferramentas mais imersivas e inclusivas.

É claro que apenas aqueles com acesso confiável à internet poderão aproveitar as oportunidades do trabalho remoto, e a exclusão digital mundial ainda é um problema sério. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, há 3,7 bilhões de pessoas no mundo sem um serviço de internet, e um estudo da BroadbandNow concluiu que, mesmo nos Estados Unidos, 42 milhões não têm conexão de alta velocidade. Não podemos deixar essas pessoas para trás. Nos próximos três a cinco anos, veremos mais investimentos em infraestrutura de conectividade para lidar com a exclusão digital e tornar o futuro do trabalho uma realidade para todos.

Empresas em todo o mundo estão adotando o trabalho remoto, e isso está se tornando uma das maiores oportunidades econômicas em décadas. Ao abandonar grandes sedes centralizadas, as empresas economizam espaço no escritório, enquanto os funcionários podem reduzir o custo de vida mudando-se para áreas menos centrais. Eles também economizarão horas por dia – e reduzirão drasticamente seu impacto ambiental – por não se deslocarem diariamente. Ao descentralizar o trabalho e as oportunidades econômicas, comunidades em todo o mundo serão também fortalecidas.

Previsão 5: As empresas irão automatizar cada vez mais as tarefas cotidianas e se concentrar em oferecer aos funcionários uma experiência de trabalho mais satisfatória.

Durante anos, as pessoas tinham o receio que a rápida proliferação de tecnologias de automação nos negócios custasse empregos. A realidade é muito mais otimista: a automação não se trata de substituir empregos, mas de melhorá-los.

As empresas sabem que tarefas cotidianas consomem muito tempo dos funcionários. Então, cada vez mais, elas estão usando bots para ajudar a automatizar a resolução dessas tarefas – como preencher tíquetes, enviar e assinar documentos e trocar turnos de hora em hora entre as equipes. Dessa forma, essas organizações estão dedicando muito mais tempo para melhorar a cultura de trabalho e garantir que os funcionários estejam felizes em seus empregos.

Ao mesmo tempo, as empresas se beneficiarão de uma onda de novos produtos que avançam no que a CCS Insights chama de “última milha do trabalho remoto“. Isso inclui ferramentas como pequenos dispositivos de videochamada e lousas conectadas que podem facilitar a colaboração de funcionários espalhados geograficamente.

Olhando para o futuro, os benefícios econômicos e de emprego da automação são animadores. No relatório Future of Jobs, o Fórum Econômico Mundial estimou que a adoção em larga escala da tecnologia de automação poderia resultar na criação de 133 milhões de empregos até 2022, superando em muito os 75 milhões de funções que as máquinas e algoritmos irão substituir. Os trabalhadores devem estar dispostos a aprender novas habilidades, mas, se o fizerem, as oportunidades de emprego serão abundantes.

À medida que nos aproximamos de 2021, as empresas e os funcionários devem reconhecer que o trabalho não voltará a ser como era antes da pandemia. Mas aqueles que adotarem as novas tecnologias e filosofias de trabalho que estão por vir serão mais eficientes do que nunca. E essas novas tecnologias e pensamento organizacional nos levarão a novas oportunidades para um futuro próspero.

 

*O Oculus não está disponível no Brasil.



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